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“Ao redor do mundo, uma conspiração monolítica implacável se opõe a nós. Baseia-se, primeiramente, no encobrimento para expandir sua esfera de influência. É um sistema que tem recrutado vastos recursos materiais e humanos para formar uma poderosa e eficiente máquina, que combina operações militares, diplomáticas, de inteligência, económicas, científicas e políticas. Suas preparações são ocultas do público. Seus erros são enterrados. Não vão para capas de jornais. Seus discordantes são silenciados, não aclamados.”

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Portugal não precisava de ajuda externa e agências de "rating" têm de ser travadas

Defende Robert Fishman
Portugal não precisava de ajuda externa e agências de "rating" têm de ser travadas (act.)
13 Abril 2011 | 10:11
Carla Pedro - cpedro@negocios.pt


O sociólogo Robert Fishman escreve no "The New York Times" sobre o "desnecessário resgate de Portugal" e acusa as agências de notação financeira de distorcerem a percepção que os mercados tinham da estabilidade do País.

Portugal não precisava deste resgate. Foi sobretudo a especulação que precipitou o País para o pedido de ajuda externa. O culpado não foi o governo, mas sim a pressão das agências de “rating”. É esta a opinião de Robert Fishman, professor de Sociologia na Universidade de Notre Dame, num artigo hoje publicado no jornal “The New York Times”.

Na opinião de Fishman - que escreveu, em conjunto com Anthony Messina, o livro intitulado “The Year of the Euro: the cultural, social and political import of Europe’s common currency” -, a solicitação de ajuda externa à UE e ao FMI por parte de Portugal deverá constituir um aviso para as democracias de todo o mundo.

A crise que teve início no ano passado, com os resgates da Grécia e da Irlanda, agravou-se, constata o professor. “No entanto, este terceiro pedido nacional de ajuda não tem realmente a ver com dívida. Portugal teve um forte desempenho económico na década de 90 e estava a gerir a sua retoma, depois da recessão global, melhor do que vários outros países da Europa, mas sofreu uma pressão injusta e arbitrária por parte dos detentores de obrigações, especulações e analistas de “rating” da dívida que, por razões ideológicas ou de tacanhez, conseguiram levar à queda de um governo democraticamente eleito e levaram, potencialmente, a que o próximo governo esteja de mãos atadas”, salienta Robert Fishman no seu artigo de opinião publicado no jornal norte-americano.

O sociólogo adverte que “estas forças do mercado, se não forem reguladas, ameaçam eclipsar a capacidade de os governos democráticos – talvez até mesmo o norte-americano – fazerem as suas próprias escolhas em matéria de impostos e despesa pública”.

"Crise em Portugal é completamente diferente"

Apesar de as dificuldades de Portugal se assemelharem às da Grécia e da Irlanda, uma vez que os três países aderiram ao euro, cedendo assim o controlo da sua política monetária, o certo é que “na Grécia e na Irlanda, o veredicto dos mercados reflectiu profundos problemas económicos, facilmente identificáveis”, diz Fishman, realçando que “a crise em Portugal é completamente diferente”.

Em Portugal, defende o académico, “não houve uma genuína crise subjacente. As instituições económicas e as políticas em Portugal, que alguns analistas financeiros encaram como irremediavelmente deficientes, tinham alcançado êxitos notáveis antes de esta nação ibérica, com uma população de 10 milhões de pessoas, ser sujeita a sucessivas vagas de ataques por parte dos operadores dos mercados de obrigações”.

“O contágio de mercado e os cortes de ‘rating’ , que começaram quando a magnitude das dificuldades da Grécia veio à superfície em inícios de 2010, transformou-se numa profecia que se cumpriu por si própria: ao elevarem os custos de financiamento de Portugal para níveis insustentáveis, as agências de ‘rating’ obrigaram o País a pedir ajuda externa. O resgate confere poderes, àqueles que vão “salvar” Portugal, para avançarem com medidas de austeridade impopulares”, opina Robert Fishman.

“A crise não resulta da actuação de Portugal. A sua dívida acumulada está bem abaixo do nível de outros países, como a Itália, que não foram sujeitos a avaliações [de ‘rating’] tão devastadoras. O seu défice orçamental é inferior ao de vários outros países europeus e tem estado a diminuir rapidamente, na sequência dos esforços governamentais nesse sentido”, refere o professor, que fala ainda sobre o facto de Portugal ter registado, no primeiro trimestre de 2010, uma das melhores taxas de retoma económica da UE.

Em inúmeros indicadores – como as encomendas à indústria, inovação empresarial, taxa de sucesso da escolaridade secundária e crescimento das exportações -, Portugal igualou ou superou os seus vizinhos do Sul e mesmo do Ocidente da Europa, destaca o sociólogo.

Porquê os "downgrades?"

“Então, por que motivo é que a dívida soberana portuguesa foi cortada e a sua economia levada para a beira do precipício?”, questiona-se Fishman.
Na sua opinião, há duas explicações possíveis. Uma prende-se com o cepticismo ideológico do modelo económico misto de Portugal, com o apoio aos empréstimos concedidos às pequenas empresas, de par com umas quantas grandes empresas públicas e um forte Estado Providência, explica.

A outra explicação está na “inexistência de perspectiva histórica”. Segundo Fishman, os padrões de vida dos portugueses aumentaram bastante nos 25 anos que se seguiram à Revolução dos Cravos, em Abril de 1974, tendo havido na década de 90 um acelerado aumento da produtividade laboral, do investimento de capital por parte das empresas privadas, com a ajuda do governo, e um aumento dos gastos sociais. No final do século, Portugal tinha uma das mais baixas taxas de desemprego da Europa, sublinha também o professor.

Mas, realça, o optimismo dos anos 90 deu origem a desequilíbrios económicos e a gastos excessivos. “Os cépticos em torno da saúde económica de Portugal salientam a sua relativa estagnação entre 2000 e 2006. Ainda assim, no início da crise financeira mundial, em 2007, a economia estava de novo a crescer e o desemprego a cair. A recessão acabou com essa recuperação, mas o crescimento retomou no segundo trimestre de 2009”, refere.

Assim, no seu entender, “não há que culpar a política interna de Portugal. O primeiro-ministro José Sócrates e o PS tomaram iniciativas no sentido de reduzir o défice, ao mesmo tempo que promoveram a competitividade e mantiveram a despesa social; a oposição insistiu que podia fazer melhor e obrigou à demissão de Sócrates, criando condições para a realização de eleições em Junho. Mas isto é política normal, não um sinal de confusão ou de incompetência, como alguns críticos de Portugal têm referido”.

Europa poderia ter evitado o resgate

E poderia a Europa ter evitado este resgate?, questiona-se. Na sua opinião, sim. “O BCE poderia ter comprado dívida pública portuguesa de forma mais agressiva e ter afastado a mais recente onda de pânico”.

Além disso, Fishman afirma que é também essencial que a UE e os EUA regulem o processo utilizado pelas agências de “rating” para avaliarem a qualidade da dívida de um país. “Ao distorcerem as percepções do mercado sobre a estabilidade de Portugal, as agências de notação financeira – cujo papel na aceleração da crise das hipotecas ‘subprime’ nos EUA foi extensamente documentado – minaram a sua retoma económica e a sua liberdade política”, acusa o académico.

“No destino de Portugal reside uma clara advertência a outros países, incluindo os Estados Unidos. A revolução de 1974 em Portugal inaugurou uma vaga de democratização que inundou o mundo inteiro. É bem possível que 2011 marque o início de uma vaga invasiva nas democracias, por parte dos mercados não regulados, sendo Espanha, Itália ou Bélgica as próximas vítimas potenciais”, conclui Fishman, relembrando que os EUA não gostariam de ver no seu território o tipo de interferência a que Portugal está agora sujeito – “tal como a Irlanda e a Grécia, se bem que estes dois países tenham mais responsabilidades no destino que lhes coube”.

Fonte: http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=479179
23:12 | 0 sdt2010

Poderá surgir em Portugal algum adversário credível que impeça que um país seja levado à bancarrota pelas agências de rating?

Inconformismo e criatividade
Poderá surgir em Portugal algum adversário credível que impeça que um país seja levado à bancarrota pelas agências de rating?
8:56 Quinta feira, 7 de Abr de 2011

É hoje consensual que o capitalismo necessita de adversários credíveis que atuem como corretivos da sua tendência para a irracionalidade e para a autodestruição, a qual lhe advém da pulsão para funcionalizar ou destruir tudo o que pode interpor-se no seu inexorável caminho para a acumulação infinita de riqueza, por mais antissociais e injustas que sejam as consequências. Durante o século XX esse corretivo foi a ameaça do comunismo e foi a partir dela que, na Europa, se construiu a social-democracia (o modelo social europeu e o direito laboral). Extinta essa ameaça, não foi até hoje possível construir outro adversário credível a nível global.

Nos últimos 30 anos, o FMI, o Banco Mundial, as agências de rating e a desregulação dos mercados financeiros têm sido as manifestações mais agressivas da pulsão irracional do capitalismo. Têm surgido adversários credíveis a nível nacional (muitos países da América Latina) e, sempre que isso ocorre, o capitalismo recua, retoma alguma racionalidade e reorienta a sua pulsão irracional para outros espaços. Na Europa, a social-democracia começou a ruir no dia em que caiu o Muro de Berlim. Como não foi até agora possível reinventá-la, o FMI intervém hoje na Europa como em casa própria.

Poderá surgir em Portugal algum adversário credível capaz de impedir que o país seja levado à bancarrota pela irracionalidade das agências de rating, apostadas em produzir a realidade que serve os interesses dos especuladores financeiros que as controlam com o objetivo de pilhar a riqueza e devastar as bases da coesão social?

É possível imaginar duas vias por onde pode surgir um tal adversário. A primeira é a via institucional: líderes democraticamente eleitos reúnem o consenso das classes populares (contra os media conservadores e os economistas encartados) para praticar um ato de desobediência civil contra os credores e o FMI, aguentam a turbulência criada e relançam a economia do país com maior inclusão social. Foi isto que fez Nestor Kirchner, Presidente da Argentina, em 2003. Recusou-se a aceitar as condições de austeridade impostas pelo FMI, dispôs-se a pagar aos credores apenas um terço da dívida nominal, obteve um financiamento de três biliões de dólares da Venezuela e lançou o país num processo de crescimento anual de 8% até 2008. Foi considerado um pária pelo FMI e seus agentes. Quando morreu, em 2010, o mesmo FMI, com inaudita hipocrisia, elogiou-o pela coragem com que assumira os interesses do país e relançara a economia.

Em Portugal, um país integrado na UE e com líderes treinados na ortodoxia neoliberal, não é crível que o adversário credível possa surgir por via institucional. O corretivo terá de ser europeu e Portugal perdeu a esperança de esperar por ele no momento em que o PSD, de maneira irresponsável, pôs os interesses partidários acima dos interesses do país.

A segunda via é extra-institucional e consiste na rebelião dos cidadãos inconformados com o sequestro da democracia por parte dos mercados financeiros, com a queda na miséria de quem já é pobre e na pobreza de quem era remediado. A rebelião ocorre na rua, mas visa pressionar as instituições a devolver a democracia aos cidadãos. É isto que se está a passar na Islândia. Inconformados com a transformação da dívida de bancos privados em dívida soberana (o que aconteceu entre nós com o escandaloso resgate do BPN), os islandeses mobilizaram-se nas ruas, exigiram uma nova Constituição para defender o país contra aventureiros financeiros e convocaram um referendo em que 93% se manifestaram contra o pagamento da dívida.

O Parlamento procurou retomar a iniciativa política, adoçando as condições de pagamento, mas os cidadãos resolveram voltar a organizar novo referendo, o qual terá lugar a 9 de abril. Para forçar os islandeses a pagar o que não devem, as agências de rating estão a usar contra eles as mesmas técnicas de terror que usam contra os portugueses. No nosso caso é um terror preventivo, dado que os portugueses ainda não se revoltaram. Alguma vez o farão?

Fonte: http://aeiou.visao.pt/inconformismo-e-criatividade=f597643
22:46 | 0 sdt2010

Economistas denunciam agências de "rating" por crime de manipulação de mercado

07 Abril 2011 | 16:52
Manuel Esteves - mesteves@negocios.pt
Filomena Lança - filomenalanca@negocios.pt

Denúncia subscrita por José Reis, Manuel Brandão Alves, Manuela Silva e José Manuel Pureza será entregue na Procuradoria Geral da República na próxima semana.

“Neste momento, as três mais importantes agências de notação financeira (...) noticiam e divulgam, diariamente, classificações de ‘rating’ que, com manifesto exagero e sem bases rigorosamente objectivas, penalizam os interesses portugueses, estimulando uma subida constante dos juros da dívida soberana”. Daqui decorrem “comportamentos presumivelmente criminais”, indiciadores, nomeadamente, do crime de manipulação do mercado.

O alerta vem de quatro economistas - José Reis e José Manuel Pureza, da Universidade de Coimbra, e Manuela Silva e Manuel Brandão, do ISEG – que vão apresentar uma denúncia ao Procurador-geral da República (PGR), Pinto Monteiro, no início da próxima semana. Os alvos são a Moody’s, a Fitch e a Standard and Poor’s.

O documento, a que o Negócios teve acesso, sustenta que “a actuação destas agências de notação financeira tem configurado violações ao dever de apresentação objectiva e imparcial de recomendações de investimento a que estão obrigadas”. E enuncia alguns exemplos, entre as várias descidas de ‘rating’ dos últimos tempos, em que “a actuação destas agências de notação financeira tem configurado violações ao dever de apresentação objectiva e imparcial de recomendações de investimento a que estão obrigadas”.

O objectivo da denúncia, explica José Reis em declarações ao Negócios, é alertar o PGR. Afinal ”há que ter em conta que se as taxas de juro não são justas, mas sim influenciadas, daqui decorre um poderoso mecanismo de transferência de recursos dos cidadãos nacionais para investidores internacionais”.

Sendo que, lembra o economista, pelo menos duas das agências de ‘rating’ em causa são detidas por um mesmo fundo de investimento. E, prossegue a denúncia, “não pode permitir-se que ajam de forma a alterar o preço dos juros, direccionando o mercado para situações em que elas próprias ou os seus clientes tenham interesse e retirem benefícios”.

Os economistas consideram que há “um conflito de interesses na actividade destas agências de notação financeira, em particular quando baixam os ratings a estes países [Portugal, Espanha, Grécia ou Irlanda, entre outros], fazendo aumentar os juros das suas dívidas e influenciando a evolução de um mercado em que actuam os fundos financeiros que são seus proprietários”.

Em Espanha e nos Estados Unidos foram também já desencadeados processos semelhantes, mas ainda não há qualquer decisão judicial transitada em julgado. A actuação das agências de ‘rating’ tem sido, aliás, alvo de várias polémicas, tendo o próprio FMI alertado já para o facto de que “estas agências usam e abusam do poder que têm”

Ainda que sublinhando que, feita a denúncia, os procedimentos que eventualmente venham a desenvolver-se cabem à PGR, José Reis não exclui a possibilidade de ser pedido um “ressarcimento de danos” às três agências de ‘rating’.

Recebida a denúncia, Pinto Monteiro decidirá se há ou não matéria de facto que justifique a abertura de um inquérito.

Fonte: http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=478307
22:44 | 0 sdt2010

Economistas acusam agências de 'rating' de "manipulação"

Carta
Economistas acusam agências de 'rating' de "manipulação"
Económico com Lusa
07/04/11 19:30

Um grupo de economistas quer a abertura de um inquérito contra as agências de 'rating' pelo "crime de manipulação do mercado".

Moody's, Fitch e Standard & Poor's são as agências visadas pela acção, que dará entrada na Procuradoria-Geral da República durante a próxima semana.

O documento é subscrito por quatro economistas: José Reis e José Manuel Pureza, da universidade de Coimbra, e Manuel Brandão e Maria Manuela Silva, do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG).

José Reis realça que as agências que "intervêm no mercado português", as três referidas na denúncia, "dominam mais de 90 por cento do mercado" internacional, pelo que "é preciso saber se as leis da concorrência são respeitadas".

Duas dessas agências - Moody's e Standard & Poor's - têm inclusive um "mesmo fundo de investimento como proprietário", adverte o economista, e as decisões que as entidades tomam, "que influenciam as taxa de juro", têm um impacto significativo nos endividamento dos países, "podendo afectar a sua estabilidade" financeira e económica.

No documento a entregar na segunda-feira na Procuradoria-Geral da República, é dito que "quanto maior for o risco inerente a uma emissão de dívida, maior será o retorno exigido pelos investidores, ou seja, maiores serão os juros" impostos pelos mesmos.

"Compreende-se assim a grande importância que revestem as classificações feitas por estas agências: elas servem de referência aos investidores, emissores e administradores públicos para as suas decisões de investimento e financiamento", diz a nota.

Sendo este o papel que tem sido atribuído no mercado a estas três agências, "não pode permitir-se que ajam de forma a alterar o preço dos juros, direccionando o mercado para situações em que elas próprias ou os seus clientes tenham interesse e retirem benefícios", declara o grupo de economistas.

O inquérito deve apurar a "prática dos actos abusivos que são imputados" às três agências, a "existência de graves prejuízos produzidos nos interesses do Estado e do povo português" e a "identificação dos quadros directivos das ditas agências e os autores dos actos" da denúncia.

Os economistas querem também saber se os "benefícios obtidos pelas agências" e os seus clientes "foram de notória importância", além de obter acesso a "todas as comunicações internas das agências de notação respeitantes às classificações referentes a Portugal" desde o ano de 2010.

Fonte: http://economico.sapo.pt/noticias/economistas-acusam-agencias-de-rating-de-manipulacao-do-mercado_115461.html
22:31 | 0 sdt2010

Merkel 'esqueceu o que a Alemanha deve à UE'


O descontentamento que reina na Europa face aos Governos nacionais e ás instituições europeias, num continente «dominado pela Alemanha de Merkel», pode levar à decadência e possível desagregação da UE, afirma Mário Soares.

«Se a Europa não percebe o descontentamento que reina em todo o lado, contra os Governos nacionais e as instituições europeias e a distância que os separa dos seus povos, é indubitável que nos encaminhamos para a decadência da UE, num mundo em transformação, e para a sua possível desagregação», escreve num artigo publicado hoje no El Pais.

Mário Soares considera que «a igualdade e a solidariedade entre os estados desapareceu» com todos «mais ou menos dominados pela Alemanha da chanceler Merkel», que «se esqueceu do que a Alemanha deve à Comunidade Europeia».

Considerando-se «dona da Europa» e «apoiada pelo seu servil aliado, o presidente Sarkozy» leva a que a economia e as finanças dominem tudo, com o BCE e os bancos alemães, «ainda que não exclusivamente», a «paralisar uma Europa de cidadãos, uma Europa política, de tipo federal».

No artigo, intitulado 'Portugal e Espanha no contexto europeu', o ex-presidente da República recorda que apenas três países são governados por Governos socialistas (demissionário no caso português) e que todos são do sul, com um peso «mais marcado pela história e pelo que representam» do que pelo dinheiro.

«Não são coisas de pouca monta mas, claro, os economistas como só vêm o dinheiro, esquecem-se o resto. E talvez por isso se enganem tantas vezes», escreve.

«Os três Estados (Grécia, Espanha e Portugal) poderiam ter-se oposto às exigências de uma Alemanha que os lançava para uma recessão inaceitável. Mas não tiveram coragem para o fazer», sublinha.

Afirmando que as instituições europeias continuam «sem compreender bem» a crise económica, Soares sustenta que «o neoliberalismo, como ideologia, está esgotado, como aconteceu há 20 anos com o comunismo».

E, por não reconhecem isso, não notam que «além da redução do défice é necessário procurar reduzir o desemprego, as tremendas desigualdades sociais» e «procurar um novo paradigma de desenvolvimento».

Se esses problemas não se resolvem, considera Soares, «a crise conduzirá a rupturas que podem ser violentas e perigosas».

Lusa/SOL

Fonte: http://sol.sapo.pt/inicio/Politica/Interior.aspx?content_id=15848
23:23 | 0 sdt2010

Soares critica capitalismo "especulativo e selvagem"

Soares afasta receios sobre FMI e critica capitalismo "especulativo e selvagem"


O ex-presidente da República Mário Soares disse, sexta-feira à noite, não ser daqueles que têm muito medo do Fundo Monetário Internacional, recordando que enquanto primeiro-ministro teve que recorrer a ele duas vezes e que Portugal resolveu os problemas.

No início do ciclo Grandes Debates do Regime, dedicado ao tema "Democracia no séc. XXI: que hierarquia de valores?", na Biblioteca Municipal Almeida Garrett, no Porto, Mário Soares garantiu não ter muito medo do FMI.
"É que eu quando era primeiro-ministro aguentei duas crises em que tive que chamar o Fundo Monetário Internacional", recordou.

Segundo o ex-primeiro ministro e ex-presidente da República, dessas duas vezes Portugal sobreviveu ao FMI e até resolveu os problemas da altura.

Sobre como é que Portugal vai sair deste "imbróglio", o histórico socialista respondeu: "a minha resposta é esta: nós temos, mais tarde ou mais cedo, em termos europeus, que controlar os mercados especulativos que só pensam no dinheiro e temos que explicar com a força dos factos que mais importante que o dinheiro são as ideias das pessoas, que são os princípios e são os valores".

Segundo o ex-presidente da República, é preciso punir "aqueles que usam o capitalismo financeiro para criar uma recessão interna em cada país".

"Foi o que sucedeu na Bélgica, foi o que sucedeu na Irlanda, é o que nós estamos em risco que venha a suceder em Portugal, espero que não", enfatizou.

Para o ex-primeiro ministro "para evitar a recessão, a prioridade das prioridades é reduzir o desemprego". O capitalismo actual não é aquele que se vivia "no passado, com fundamentos éticos, com princípios e com regras", disse. "Nós estamos a viver num capitalismo especulativo e selvagem", criticou.

Considerando que "o fenómeno dos mercados é absolutamente escandaloso", o socialista recordou que estes "são conduzidos por poucas pessoas".

"São os principais agentes desses mercados que fazem tremer os políticos e que põem os políticos de joelhos. Ainda por cima têm agências de rating que diariamente nos avaliam mas que são funcionários desses mesmos mercados. Onde é que fica a política nisto?", questionou.

Fonte: http://www.jn.pt/PaginaInicial/Nacional/Interior.aspx?content_id=1821004&page=1
10:37 | 0 sdt2010

O rating e a sua carteira


Sabe o que quer dizer rating? Ou o que significa que Portugal sofreu um corte no rating? Embora os conceitos técnicos possam deixar de fora muitos portugueses, na prática a palavra rating e as agências que os emitem podem afectar o bolso de muitas famílias. As agências de notação financeira (rating), são tema de conversa nos últimos meses, sobretudo devido aos cortes que têm feito nos países periféricos da Europa, como Portugal, Espanha, Grécia e Irlanda. Mas qual poderá ser o impacto na vida pessoal, profissional ou até na carteira de cada português? O Saldo Positivo explica-lhe como funciona o rating.


O que é o rating?

O rating ou notação de risco consiste numa classificação através de uma nota que indica a capacidade de um emitente de dívida (contrai um empréstimo junto do mercado) pública ou empresarial cumprir com os pagamentos (ver “Como perceber a tabela do rating“).


O que fazem as agências de notação financeira?

As agências de notação financeira são companhias em que o seu trabalho é simples de explicar: funcionam como uma terceira parte independente que avalia o risco de crédito de uma entidade, atribuindo uma notação de risco (rating). Ou seja, em vez de ser a própria empresa ou Estado a definir o seu risco de crédito (capacidade de pagar a sua dívida), existe uma companhia independente que faz isso, separando os bons dos maus pagadores.

No fundo, se um país emite dívida pública ou uma empresa emite obrigações, a agência de rating atribui uma nota ao risco que existe desse emitente cumprir com a sua dívida.

As principais agências de notação financeira são as norte-americanas Moody’s, Standard & Poor’s e a Fitch.


Como está Portugal

Apesar de cada agência de notação financeira apresentar diferentes níveis de classificação, em termos práticos, o significado é o mesmo. O rating da República Portuguesa está muito perto de deixar de ter nota positiva, basta para isso descer mais um nível. Se isso acontecer, a dívida soberana do Estado entrará na categoria de não investimento, sendo Portugal considerado um investimento especulativo e estando na área de lixo (junk).

Neste momento, a Standard & Poor’s classifica Portugal como BBB-, a Moody’s A3 e a Fitch A-.


Problemas para os particulares e empresas

Tal como o Estado, os bancos nacionais também tiveram cortes de rating de alguns níveis. Os cortes nas notações de risco levam normalmente os bancos a financiarem-se nos mercados financeiros internacionais com juros mais elevados. As consequências podem sentir-se tanto nas famílias como nas empresas, através do pagamento de juros mais elevados quando procurarem crédito bancário, o que poderá reflectir-se numa restrição de crédito por parte das instituições financeiras.

Nos últimos meses, tem-se assistido à subida dos spreads (margem acima do juro no mercado interbancário) nos créditos, cenário que ilustra uma situação de rating mais baixo.


Rating de outros países

Os países que apresentam dívida de topo são países que não apresentam, praticamente, risco de crédito. Alguns desses países são os Estados Unidos da América, o Canadá, a Suécia, entre outros. No nível seguinte, ou seja, dívida de alta qualidade, encontramos países como a Espanha, o Chile e a Bélgica. No nível acima do actualmente ocupado por Portugal, encontramos Estados com dívida de qualidade média alta, como, por exemplo, o México, o Brasil e o Principado de Andorra. Já ao nível de Portugal, encontramos países, tais como a Índia ou as Bahamas. Nos níveis abaixo do português, existem muitos países, tais como a Grécia, Cabo Verde, Venezuela, Uganda, entre muitos outros, nomeadamente da América Latina e de África.


Como perceber a tabela do rating

A tabela das notações financeiras é fácil de perceber. Quanto mais baixo se está no ranking, mais os juros aumentam e se tornam insuportáveis para quem paga.

Olhando para a tabela em baixo, verifica-se que existem 4 grandes níveis (A, B, C e D). Na parte de cima da tabela, estão os países mais seguros ou com notas médias-altas.

A parte da tabela que tem a letra B, pode ser dividida entre a de qualidade e a de fraca qualidade. Existe apenas um nível, dentro da letra B em que a notação de risco de crédito se enquadra nos níveis de qualidade, é onde se encontra o Estado Português. Desse nível para baixo, todas as notas significam uma situação altamente especulativa no que toca à qualidade do emitente de dívida. Ou seja, existe um risco maior de o país ou empresa entram em incumprimento com as suas obrigações.

Chegando ao nível C, o país está praticamente na bancarrota e torna-se um investimento sem interesse para os investidores. A letra D, confirma a falência do país.




Fonte:
Publicado em POUPAR E INVESTIR por jp — 5:35 - 1 de Abril de 2011
http://www.saldopositivo.cgd.pt/o-rating-e-a-sua-carteira/
22:08 | 0 sdt2010

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